“Preparar-se para envelhecer não é fazer lifting no rosto ou apenas praticar mais ginástica na academia”

“Preparar-se para envelhecer não é fazer lifting no rosto ou apenas praticar mais ginástica na academia”

Ex-diretora do Centro Internacional de Longevidade e consultora da OMS diz o que é envelhecimento e o que o Brasil precisa fazer em relação às políticas públicas

A canadense Louise Plouffe tem um currículo gigante na área de envelhecimento e já trabalhou no Brasil .

Entre os destaques do seu currículo, ela comandou o Centro Internacional de Longevidade (ILC) e prestou consultoria à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Aliás, ela se aposentou, mas hoje é uma das mentes por trás do programa Cidades Amigas do Idoso em Ottawa, capital de seu país natal.

Isso mostra exatamente como ela pensa (e age) sobre o envelhecimento.

Confira um trecho da entrevista ao Estadão aos repórteres do programa Especial FocasNicholas Shores e Teo Cury: 

Sobre a cidade de Ottawa e o trabalho com idosos:

Por exemplo, o município está reformando calçadas, melhorando a acessibilidade dos prédios municipais, criando parques ‘amigos do idoso’, melhorando o transporte público para pessoas com incapacidades e oferecendo exercícios nos centros comunitários de saúde para a prevenção de quedas.

Como o Brasil pode fazer políticas públicas com foco em idosos, mesmo na crise: 

Em primeiro lugar, é importante manter os serviços básicos, como os centros de saúde primária, que atendem bem a população idosa

Também programas públicos de vacinação e de medicamentos para doenças crônicas.

Retirar esses serviços poderia ter impactos fiscais negativos no longo prazo, além de aumentar o sofrimento de muitas pessoas.

Além disso, desenvolver um sistema de cuidados de longa permanência, incluindo cuidados domésticos e de centros-dia.


Esse sistema é necessário para prevenir problemas de saúde agudos que elevam os custos para o sistema público.

Os próximos desafios no Brasil:

No Brasil, um dos principais objetivos é promover o desenvolvimento das cidades amigas dos idosos – o que resultaria em cidades amigáveis para todos – e aumentar a consciência do público sobre os desafios do envelhecimento.

O Brasil já tem um Estatuto do Idoso, o que proporciona noções para basear as políticas em relação aos direitos deles.

A Reforma da Previdência no Brasil e no Mundo:

Essas mudanças são normais e necessárias. Mas é preciso criar condições de trabalho favoráveis e adaptadas aos trabalhadores mais velhos, para que eles possam contribuir com suas melhores habilidades.

Também é preciso analisar os impactos negativos dessa medida, como foi feito no Canadá.

O que é envelhecer com saúde?

Muitas pessoas focam na manutenção da saúde física, mas precisam também cultivar a mente, lidar com as mudanças na sociedade, participar nas redes sociais e abraçar desafios intelectuais.

Pessoalmente, sou aposentada, mas participo nas organizações comunitárias para manter os contatos sociais, a autoestima e a estimulação cerebral.